12. ESTRELA DA TARDE

Estrela da Tarde
(José Carlos Ary dos Santos / Fernando Tordo)

Era a tarde mais longa de todas as tardes
Que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas
e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca,
Tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde
Tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos, tardámos no beijo
Que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz
Que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste
O sol amanhecia
Era tarde demais para haver outra noite,
Para haver outro dia.

(Refrão)


Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza.

Foi a noite mais bela de todas as noites
Que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite
De aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos,
Cansados, não adormeceram
E da estrada mais linda da noite
Uma festa de fogo fizeram.

Foram noites e noites que numa só noite
Nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites
Que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles
Que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto
Se amarem, vivendo, morreram.

(Refrão)


Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde…!

Eu não sei, meu amor, se o que digo
É ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo
E acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste
Dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida
De mágoa e de espanto.
Meu amor, nunca é tarde nem cedo
Para quem se quer tanto!